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sexta-feira, 21 de maio de 2021

QUANDO ESTAMOS UNIDOS... REFLEXÃO SOBRE O DOMINGO DE PENTECOSTES

 



Quando estamos unidos...

    Neste final de semana celebramos a solenidade de Pentecostes, a Igreja no mundo inteiro celebra a vinda do Espírito Santo, sobre a Virgem Maria e os apóstolos no Cenáculo. Poderia aqui trazer uma vasta discussão pneumatológica, ou seja, sobre a pessoa do Espírito Santo e sua ação na alma humana.

    No entanto, gostaria de salientar um aspecto pouco e talvez quase sempre esquecido mas que nos é trazido pelos Atos dos Apóstolos no capítulo 2 "Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam". A narrativa nos diz que estavam reunidos no mesmo lugar, aqui se trata do Cenáculo, lugar de especial importância e cenário para alguns dos encontros do ressuscitado com seus apóstolos, mas você deve estar se perguntando aonde quero chegar, pois bem, o que quero chamar atenção é para a dimensão comunitária de nossa fé católica.

    O Espírito Santo derramou-se sobre a comunidade dos Apóstolos, reunidos em torno de Maria Santíssima, que como bem nos ensinam a tradição e o magistério, não só é mãe, mas imagem da Igreja. Vivemos tempos difíceis, em que muitas vezes somos impedidos de praticar a dimensão comunitária de nossa fé, no entanto, não podemos esquecer, que desde os primórdios do cristianismo, mesmo em tempos de perseguição, nossos irmãos se reuniam, mesmo que às escondidas, a fim de celebrar e exercer os dons e carismas. Isso nos afirma a primeira carta aos Coríntios “formamos um só corpo, animado pelo único Espírito.” (Cf I Cor 12, 3b-7.12-13)

    Dessa forma, não deixemos apagar em nós, essa profunda marca de nossa fé, a vivência comunitária. pois quando estamos unidos, o Senhor mesmo sopra sobre nós seu Espírito Santo, nos enchendo com seus dons, trazendo vida a Igreja, lançando fora todo medo e temor, comunicando-nos a sua paz.


Por: William Amaral Nunes

Colaborador do Blog, estudante de Teologia da UcPel/RS.


domingo, 8 de setembro de 2013

Festa da Natividade de Nossa Senhora



A Igreja celebra, com júbilo, muitas festas e solenidades de Nossa Senhora por ser a Mãe de Deus humanado, por ter dado corpo ao Verbo Divino, para que acontecesse a salvação da humanidade. A celebração do nascimento da Virgem Maria, como disse Santo André de Creta (cf. Ofício das leituras), honra a natividade da Mãe de Deus.

O nascimento de Maria anunciou a alegria e a aproximação da Salvação do mundo perdido; por isso, essa festa é celebrada na Igreja com grande louvor e ação de graças.

Com o seu 'sim' a Deus, Maria respondeu em nome de toda a humanidade ao Senhor e permitiu, então, que o Senhor da História entrasse na história dos homens para salvá-los. Por isso, a Igreja presta à Virgem Santíssima o culto chamado “hiperdulia”, super veneração.

Maria nasceu para ser a Mãe do Salvador, daquele que é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1,29). Por isso, somente de Maria, como também de João Batista e Jesus Cristo, a Igreja celebra não só o nascimento para o céu, mas também o nascimento para este mundo. 

Maria foi concebida no ventre de sua mãe Ana, sem o pecado original, para poder gerar o Criador em forma humana. Ela veio ao mundo de forma diferente de todos os demais humanos, não isenta da graça santificante e não sujeita ao pecado, mas, pura, bela, formosa e gloriosa, adornada das graças mais preciosas que convinha Àquela escolhida para ser a Mãe do Salvador. Ela é a Nova Eva, que veio para desatar o nó da desobediência de Eva, e esmagar a cabeça de Satanás (cf. Gn 3,15).

Por isso, esta festa foi sempre celebrada com louvores por muitos Santos Padres, que tiraram suas conclusões da Bíblia. São Pedro Damião, (1007-1072), doutor da Igreja, no seu “Segundo Sermão sobre a Natividade de Nossa Senhora”, diz:

“Deus onipotente, antes que o homem caísse, previu a sua queda e decidiu, antes dos séculos, a redenção humana. Decidiu, portanto, encarnar-se em Maria.

Hoje é o dia em que Deus começa a pôr em prática o seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Casa linda, porque, se a Sabedoria constrói uma casa com sete colunas trabalhadas, este palácio de Maria está alicerçado nos sete dons do Espírito Santo. Salomão celebrou de modo soleníssimo a inauguração de um templo de pedra. Como celebraremos o nascimento de Maria, templo do Verbo encarnado? Naquele dia a glória de Deus desceu sobre o templo de Jerusalém sob forma de nuvem, que o obscureceu. O Senhor que faz brilhar o sol nos céus, para a sua morada entre nós escolheu a obscuridade (cf. 1Rs 8,10-12), disse Salomão na sua oração a Deus. Este mesmo templo estará repleto pelo próprio Deus, que vem para ser a luz dos povos.

Às trevas do paganismo e à falta de fé dos judeus, representadas pelo templo de Salomão, sucede o dia luminoso no templo de Maria. É justo, portanto, cantar este dia e Aquela que nele nasceu. Mas como poderíamos celebrá-la dignamente? Podemos narrar as façanhas heroicas de um mártir ou as virtudes de um santo, porque são humanas. Mas como poderá a palavra mortal, passageira e transitória exaltar Aquela que deu à luz a Palavra que fica? Como dizer que o Criador nasce da criatura?”

Esta festa teve origem no Oriente. No Ocidente o Papa São Sérgio (687-701) ordenou que fosse celebrada em Roma. A tradição diz que a Virgem nasceu em Jerusalém, nas proximidades do tanque de Betesda, onde atualmente se venera uma cripta sob a igreja de Santa Ana, como sendo o local onde nasceu Nossa Senhora.

Por Prof. Felipe Aquino
Comunidade Canção Nova

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O avesso da Missa

Elevação do Santo Cálice, hora da Consagração
O bispo, preocupado com as missas da diocese, convocara os principais cantores e ele mesmo na manhã de sábado deixara claro que esperava que no Ato Penitencial, no canto à Glória de Deus, no Santo e no Cordeiro de Deus fossem escolhidas canções que o povo cantasse junto.
Nada de solos. Que os cantos não fossem compridos demais. Que não se cantasse na hora do abraço da paz. Que houvesse respeito ao silêncio da ação de graças e que os músicos não tocassem naqueles três minutos de oração silenciosa. Sobretudo que não houvesse canções em tom que o povo não alcança
No dia seguinte, a cantora de voz maravilhosa que não fora ao encontro fez o avesso de tudo. Tocou e cantou tudo em tom operístico, cantou no abraço da paz e não respeitou o silêncio enfiando pelos ouvidos do povo a sua mais recente exibição, uma linda canção que nada tinha a ver com aquela parte da missa. Foi uma crise de queda de ministério quando o pároco pediu a ela que seguisse as normas dada pelo bispo. Ali mesmo e voz alta de generala, ela pediu demissão, desafiando o padre a encontrar alguém que soubesse música como ela e seus três acompanhantes… Por três semanas o padre presidiu as missas sem canção alguma, até que o pároco da cidade vizinha ofereceu um de seus grupos que cantava e tocava de acordo com liturgia.
Quem viaja há mais de 40 anos a serviço da catequese e assiste ou participa de missas no Brasil e no mundo não pode deixar de perceber a boa e a má qualidade das celebrações, por conta do presidente da assembléia, do pregador e dos músicos e cantores. Há os ótimos, os bons e os intragáveis. Não sejamos negativos. Os ótimos e os bons, felizmente são muitos. Dá gosto ouvir alguns sacerdotes a explicar a missa daquele dia. Dá gosto ouvir o coral e os músicos em algumas paróquias.
Mas o inverso da missa também existe. Percebe-se em alguns casos que nem o padre, nem cantores, nem músicos levam a sério as instruções da Igreja sobre o seu papel na celebração que não é deles e, sim, da Igreja. O povo fica por amor a Jesus Cristo. Se fosse um teatro pago esvaziaria o lugar, em protesto pelo que tem de ouvir á sua frente: pregador repetitivo que nunca se fundamenta e cantores que não ensaiam.
Os biógrafos de São Pio X registram o que ele já percebera nos inícios de 1900 a respeito da missa dos católicos. O papa autor do Motu Próprio, preocupado com a liturgia e sua dignidade via o que hoje ainda vemos: às vezes os cantores extrapolam, improvisam a missa cinco minutos antes do canto de entrada, e, seja por desconhecimento das normas, seja por desprezo das mesmas, inverte a missa: canta-se mais do que se fala e canta-se diante do povo, mas não com o povo. Somados os minutos, a missa cheia de canções compridas com refrões cansativamente repetidos, dá 40 minutos de música e 30 de fala… O templo vira anfiteatro, o altar vira palco, e a missa vira opereta. Escolhem-se canções que só o solista consegue executar. Assim, ele ou ela aparece com sua linda voz em mais uma brilhante exibição de talento para Jesus e para a assembléia. Falta penas a claque com a tabuleta escrita: “aplausos”…
Na biografia de São Pio X que governou a Igreja por 9 anos, se lê que dos pregadores ele esperava que não pregassem o enrolez, isto é, não fossem engroladores de oremus, mas preparassem os sermões e pregassem de verdade; não fossem peudo-Bossuet, imitadores de linguagens, com sermões calcados em frases óbvias, daqueles que se tira da estante sem nenhum cuidado de estudar o texto do dia. Dos cantores ele pedia mais dignidade ao cantar nas missas. Era melhor regressar ao canto gregoriano do que cantar árias de óperas na Igreja. Fugissem de cantos água com açúcar. As canções tivessem conteúdo teológico sólido e as melodias fossem adequadas a uma celebração.
Um século depois em algumas paróquias nada mudou. Não esquecendo os elogios a comunidades onde a missa é levada a sério e ninguém aparece demais, não há como silenciar diante das missas estruturadas para revelar padres e cantores televisivos. Fogem ao conceito de Celebração Eucarística. Em missas televisionadas a discrepância é ainda maior porque os câmeras, despreparados para a fé católica teimam em salientar detalhes que nada têm a ver com a celebração; gastam 70% do tempo mirando o padre, como se a missa fosse ele ou dele. Se o Cristo aparecesse em pessoa provavelmente continuariam mirando o padre, tal a força e o charme do mais novo celebrante televisivo da região. Exageros à parte reflitamos sobre a missa como ato da assembléia e não de uma ou duas pessoas.
As normas existem há séculos. Com o advento da Internet e da Televisão a missa tornou-se cada dia mais virtual. A figura do celebrante ganhou closes e relevância. Alguns não resistiram ao protagonismo e passaram a celebrar mais para as câmeras do que para os presentes, desfilando garbosos, para cá e para lá, suas vestes multicoloridas como o manto de José do Egito. Esqueceram o detalhe de que apenas presidem a assembléia e de que não estréiam mais um espetáculo de luz e de som.
A dignidade da função não permite ao presidente da assembléia que extrapole em funções que não são suas, tanto quanto não permite ao cantor que dê seu show de talento. O padre que pega do violão na ação de graças e canta sua mais nova canção procure uma boa explicação para aquele gesto, porque uma ou duas vezes em festas especiais passam, mas três vezes por mês é excesso… E aquele que insiste em improvisar a melodia do prefácio, pagando um enorme mico porque criar melodia não é dom para qualquer um, tome lições de canto. Os músicos presentes saem todos rindo do padre que começou cheio de si e acabou causando dó…


Que se reveja tudo isso! Falar, a Igreja fala, mas ouvir, nem todos ouvem! Com isso, sofre o povo que merecia sermões bem fundamentados e canções que sustentam o texto daquele dia. Quem sabe, um dia, as missas em todas as paróquias cheguem ao que os documentos da Igreja propõem que sejam…A Igreja muda devagar, mas muda!

Por Padre Zezinho Scj.
Pe. Zezinho scj


Retirado de padrezezinhoscj.com

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A Santa Missa Explicada por Padre Pio

Se os homens conhecessem o valor da Santa Missa, a polícia teria que estar sempre ás portas das Igrejas para manter a ordem por causa da grande quantidade de pessoas que a assistiriam. (São Padre Pio)

Do sinal da cruz inicial até o ofertório, é preciso encontrar Jesus

Padre Pio na celebração da Santa Missa
Padre Pio era o modelo de cada padre... Não se podia assistir "à sua Missa", sem que nos tornássemos, quase sem perceber, "participantes" desse drama que se vivia a cada manhã sobre o altar. Crucificado com o Crucificado, o Padre revivia a Paixão de Jesus com grande dor, da qual fui testemunha privilegiada, pois lhe ajudava, na Missa.

Ele nos ensinava que nossa Salvação só se poderia obter se, em primeiro lugar, a cruz fosse plantada na nossa vida. Dizia: "Creio que a Santíssima Eucaristia é o grande meio para aspirar à Santa Perfeição, mas é preciso recebê-La com o desejo e o engajamento de arrancar, do próprio coração, tudo o que desagrada Àquele que queremos ter em nós".(27 de julho 1917).

Pouco depois da minha ordenação sacerdotal, explicou-me ele que, durante a celebração da Eucaristia, era preciso colocar em paralelo a cronologia da Missa e a da Paixão. Trata-se, antes de tudo, de compreender e de realizar que o Padre no altar É Jesus Cristo. Desde então, Jesus, em seu Padre , revive indefinidamente a mesma Paixão.

Do sinal da cruz inicial até o Ofertório, é preciso ir encontrar Jesus no Getsemani, é preciso seguir Jesus na Sua agonia, sofrendo diante deste "mar de lama" do pecado. É preciso unir-se a Jesus em sua dor de ver que a Palavra do Pai, que Ele veio nos trazer, não é recebida pelos homens, nem bem nem mal. E, a partir desta visão, é preciso escutar as leituras da Missa como sendo dirigidas a nós, pessoalmente .

O Ofertório: É a prisão, chegou a hora...
O Prefácio: É o canto de louvor e de agradecimento que Jesus dirige ao Pai, e que Lhe permitiu, enfim, chegar a esta "Hora".
Desde o início da oração Eucarística até a Consagração : Nós nos unimos (rapidamente!...) a Jesus em Seu aprisionamento, em Sua atroz flagelação, na Sua coroação de espinhos e Seu caminhar com a cruz nas costas, pelas ruelas de Jerusalém e, no "Memento", olhando todos os presentes e aqueles pelos quais rezamos especialmente.

A Consagração nos dá o Corpo entregue agora, o Sangue derramado agora. Misticamente, é a própria crucifixão do Senhor. E é por isso que Padre Pio sofria atrozmente neste momento da Missa.

Nós nos uníamos em seguida a Jesus na cruz, oferecendo ao Pai, desde esse instante, o Sacrifício Redentor. Este é o sentido da oração litúrgica que segue imediatamente à consagração.
"Por Cristo com Cristo e em Cristo" corresponde ao grito de Jesus: "Pai, nas Tuas Mãos entrego o Meu Espírito!" Desde então, o sacrifício é consumado pelo Cristo e aceito pelo Pai. Daqui por diante, os homens não mais estão separados de Deus e se encontram de novo unidos. É a razão pela qual, nesse instante, recita-se a oração de todos os filhos: "Pai Nosso...".
A fração da hóstia indica a Morte de Jesus...
Padre Pio celebrando a Santa Missa
A Intinção, instante em que o Padre, tendo partido a hóstia (símbolo da morte...), deixa cair uma parcela do Corpo de Cristo no cálice do Precioso Sangue, marca o momento da Ressurreição, pois o Corpo e o Sangue estão de novo reunidos e é ao Cristo Vivo que vamos comungar.
A Bênção do Padre marca os fiéis com a cruz, ao mesmo tempo como um extraordinário distintivo e como um escudo protetor contra os assaltos do Maligno...
Depois de ter escutado uma tal explicação dos lábios do próprio Padre e sabendo bem que ele vivia dolorosamente tudo aquilo, compreende-se que me tenha pedido segui-lo neste caminho... o que eu fazia cada dia... E com que alegria!
Pe. Jean Derobert
Palavras do padre Pio
Jesus me consolou. Em 18 de abril de 1912, depois de uma luta terrível contra o inferno, a consolação do Senhor me veio depois da Missa: "Ao final da missa, conversei com Jesus para a ação de graças. Oh quanto foi suave o colóquio mantido com o paraíso nessa manhã!... O coração de Jesus e o meu se fundiram. Não eram mais dois que batiam, mas um só. Meu coração tinha desaparecido como uma gota de água se dissolve no mar... - Padre Pio chorava de alegria.- Quando o paraíso invade um coração, esse coração aflito, exilado, fraco e mortal não pode suporta-lo sem chorar...".

Ao Pe Agostinho, 18/04/1912, em "Padre Pio, Transparent de Dieu", J.Derobert.
Confidências a seus filhos espirituais
"Minha missa é uma mistura sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo", disse ele chorando.
"Na Paixão de Jesus, encontrarão também a minha".
"Não desejo o sofrimento por ele mesmo, não; mas pelos frutos que me dá. Ele dá glória a Deus e salva meus irmãos, que mais posso desejar?".
"A que momento do Divino Sacrifício mais sofreis?". - Da consagração à comunhão." "Durante o ofertório?. - É neste momento que a alma é separada das coisas profanas."
"A consagração?". - É verdadeiramente aí que advém uma nova admirável destruição e criação."
"A Comunhão? Na comunhão, sofreis a morte? - Misticamente, sim. - Por veemência de amor ou de dor? - Por uma e outra: mas mais por amor."
"Sofreis toda e sempre a Paixão de Jesus?". - Sim, por Sua bondade e Sua condescendência, tanto quanto é possível a uma criatura humana. - E como podeis trabalhar com tanta dor? - Encontro o meu repouso sobre a cruz."
"Como nós devemos ouvir a Santa Missa?". - Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrificio sangrento da cruz "". Pe. Tarcísio, Congresso de Udine, 1972.

sábado, 23 de março de 2013

Manual Litúrgico para Semana Santa


PEQUENO MANUAL PARA A SEMANA SANTA
(Org. e Sugestões: Pe. Rogério Cabral Caetano)

Pe. Rogério Cabral Caetano  Quarta-Feira de cinzas 2013

“A Liturgia da Semana Santa seja realizada de modo a poder oferecer ao povo cristão a riqueza dos ritos e orações; é importante que seja respeitada a verdade dos sinais, se favoreça a participação dos fiéis e seja assegurada a presença de ministros, leitores e cantores”.
             É nessa perspectiva que nasce não sei se poderia chamar de “Pequeno Manual da Semana Santa”, e que se dirige de maneira peculiar às Equipes de Liturgia, Ministros Extraordinários da Distribuição da Comunhão Eucarística, enfim, a todas aquelas pessoas que estão empenhadas e colaboram com os sacerdotes nas comunidades paroquiais.
            Pois, nas várias paróquias, comunidades e capelas por onde passei ainda como seminarista, senti as dificuldades e ao mesmo tempo a disponibilidade daqueles leigos e leigas em preparar bem a “GRANDE SEMANA”.
            O nosso “pequeno manual” apesar de ser pautado no Magistério atual e nos livros litúrgicos renovados, têm falhas!  E se você tem uma sugestão para o enriquecimento destes grandes dias, envie-nos.
            E que seja para Maior Glória de Deus e Salvação das Almas!
            Fraternalmente,

Pe. Rogério Cabral Caetano
Pároco da Paróquia São Sebastião, Varre-Sai-RJ
Diocese de Campos-RJ.




I - DOMINGO DE RAMOS:

a)     Deve-se marcar uma única e grande, procissão. De preferência os fiéis se reunindo numa Igreja menor para a sede paroquial;
b)     Para o sacerdote deve-se preparar um ramo maior e mais esplendoroso e amarrado com um laço de fita vermelha;
c)     Deve-se preparar uma folha com cânticos apropriados, bem como um carro de som para o início da cerimônia e também para toda a procissão, de maneira que não haja improvisação.
d)     Caldeirinha e hissope de água benta.
e)     Após a benção dos ramos, segue-se precedidos pelo sacerdote e ministros a procissão com cânticos, turíbulo, cruz e velas (lanternas);
f)      Toda a liturgia da palavra deve ser distribuída entre os leitores com antecedência para não haver improvisação;
g)     Todo o caminho onde passará o cortejo processional, poderá ser decorado com ramos, e no chão podem-se jogar folhas de árvores picadas fazendo um grande tapete.
h)     Na leitura da Paixão não se usa incenso, nem velas, sem a saudação do povo e sem o beijo no livro do sacerdote;
i)       A cruz processional pode ser decorada com ramos bentos;
j)      Na procissão, à frente do celebrante vai se o Evangeliário, ou na falta deste, o lecionário correspondente devidamente marcado;
k)     O celebrante poderá usar na procissão pluvial vermelho ou na falta deste, casula de cor  vermelha;
l)       Dependendo da realidade e criatividade de cada equipe de liturgia, seria muito expressivo que se preparasse um burrinho com um figurante vestido de Jesus e os discípulos.
m)   O celebrante ao chegar ao presbitério, se usou pluvial na procissão, retira-o coloca a casula (que está sobre o altar), reverencia o altar e incensa o mesmo.
n)     Devem-se preparar ramos para os fiéis como também para serem guardados para a quarta-feira de cinzas do próximo ano (para se fazer as cinzas).
o)     Na procissão do ofertório, podem ser conduzidos três símbolos evocativos dos três mistérios que a Igreja irá celebrar no Tríduo Pascal: O PÃO E O VINHO (lembrando a Ceia do Senhor na quinta-feira santa); UMA CRUZ (lembrando a cruficação do Redentor a ser celebrada na sexta-feira santa); CIRIO PASCAL (lembrando a vitória da luz sobre as trevas com a Ressurreição de Cristo a ser celebrada na Vigília Pascal e no Domingo de Páscoa).


II - MISSA DA CEIA DO SENHOR (Lava-pés):

a)     Inicia-se o tríduo sagrado, chamado também de o “Tríduo do crucificado, do sepultado e do ressuscitado”.
b)     Cruz processional, velas, turíbulo fumegando.
c)     Matracas.
d)     Pode-se entrar na procissão de entrada os santos óleos que foram abençoados pela manhã na Catedral pelo Sr. Bispo. Prepara-se no presbitério uma mesa para colocá-los. Para serem levados ao presbitério os santos óleos, poderiam três jovens vestir túnicas das respectivas cores dos óleos: ROXO (óleo dos enfermos); ROSA (óleo do Crisma); BRANCO (óleo do batismo).
e)     Pode ser decorado perto do altar e nunca em cima do mesmo, com pão, uva, vinho.
f)      Antes da celebração, o sacrário deve estar vazio. As hóstias para a comunhão dos fiéis devem ser consagradas na mesma celebração da missa de maneira suficiente para o dia seguinte também (Sexta-feira santa).
g)     Reserve-se uma Capela para conservação do Santíssimo Sacramento e seja ela ornada de modo conveniente, para que possa facilitar a oração e meditação: recomenda-se o respeito
daquela solenidade que convém à liturgia destes dias, evitando ou renovando qualquer abuso contrário.
h)     Durante o canto do hino do “Glória” tocam-se os sinos (da torre e do altar). Concluído o canto eles ficarão silenciosos até o “Glória” da Vigília Pascal.
i)       O órgão ou outros instrumentos a partir do canto do “Glória”, só serão utilizados para sustentar o canto. De maneira que não se use nem bateria e nem pandeiros...
j)      Seja conservada para o lava-pés a escolha de alguns homens, e como sugestão podendo ser 12 que significa os 12 apóstolos. Neste momento o celebrante retira a casula e cinge-se com uma toalha grande que possa ser amarrada à cintura e ao mesmo tempo enxugar os pés dos discípulos, a casula ficará aberta sobre o altar.  Após terminar o lava-pés e ter lavado as mãos vestirá novamente a casula. Pode ser dado para os homens um pão.
k)     Na procissão do ofertório tendo sido feita uma conscientização na comunidade, a comunidade pode fazer doação de alimentos não perecíveis para os menos favorecidos, como nos sugere o Missal Romano.
l)       Na consagração, não se toca a campainha e sim as matracas.
m)   Após a oração da comunhão, forme-se o cortejo, passando por toda a Igreja, que acompanha o Santíssimo Sacramento ao lugar da reposição. A procissão é precedida pelo cruciferário, as velas, o turíbulo fumegando e as matracas.
n)     Usa-se a Umbela para cobrir o Santíssimo.
o)     Nunca se pode fazer a exposição com o ostensório. (A reserva Eucarística deverá ficar dentro do sacrário).
p)     Na adoração até a meia-noite, pode ser lida uma parte do evangelho segundo João Cap. 13-17. Após a meia noite, esta adoração seja feita sem solenidade já que começou o dia da paixão do Senhor.  Recomenda-se o silêncio.
q)     A capela do Santíssimo pode ser ornada com flores, com todo esplendor.
r)      O sacerdote deveria usar pluvial e véu umeral festivo na transladação do Santíssimo Sacramento em direção ao altar da reposição.  Na falta do Pluvial use pelo menos o véu umeral sobre a túnica ou alva com estola.
s)     Concluída a missa é desnudado o altar da celebração. Convém cobrir as cruzes da Igreja com um véu de cor vermelha ou roxa.
      Para a missa deve-se preparar:
a)     Âmbulas com partículas para consagrar para essa missa e para a Sexta-feira;
b)     Véu de ombros;
c)     Turíbulo com naveta;
d)     Tochas e velas;
      Para o lava pés:
a)     Assentos para os homens designados;
b)    Jarro de água e bacia;
c)     Toalha para enxugar os pés;
d)    Sabonete (para o sacerdote lavar as mãos)

III - CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR

Pe. Rogério Cabral Caetano organizado do Manual
a)     Neste dia não se celebra a Eucaristia.
b)     Guarda-se o jejum e a abstinência.
c)     Só se celebram nestes dias os sacramentos da Unção dos enfermos e da Confissão.
d)     Prepara-se tapete e almofadas para os sacerdotes (presidente e concelebrantes).
e)     Os sacerdotes prostam-se os demais ministros, coroinhas e povo ajoelham-se.
f)      Prepara-se uma cruz que deve ser esplendorosa coberta com um véu vermelho e dois castiçais com velas (na credencia no fundo igreja).
g)     Durante a adoração e o beijo devocional, canta-se hinos apropriados e salmos.
h)     Depois da comunhão proceda-se à desnudação do altar, deixando a mesma cruz no centro do altar, com quatro castiçais.
i)       Pode-se fazer até a hora da procissão do Senhor Morto a via-sacra.
j)      Tendo a procissão do Senhor Morto, pode-se deixar o esquife a veneração pública, juntamente com a imagem de Nossa Senhora das Dores. Na procissão recomenda-se silêncio e orações e também o uso das matracas, bem como um carro de som com canto gregoriano, ou cantos penitenciais.
      Na credencia:
a)     Missal
b)     Lecionário
c)     Toalhas para o altar
d)     Corporais com sangüíneos
e)     Purificatório
f)      Velas para o altar.
g)     Âmbulas

IV - VIGÍLIA – SÁBADO SANTO:

a)     Pode continuar exposta durante o dia para a veneração dos fiéis, uma imagem do Cristo crucificado, ou morto bem como a imagem da Santíssima Virgem das Dores.
b)     Pedir com antecedência que os fiéis tragam velas ou a paróquia oferecer.
c)     Evite-se com todo o cuidado que os salmos da vigília sejam substituídos por canções populares.
d)     No canto do “Glória”, tocam-se os sinos, e também se podem preparar fogos de artifício.
e)     O círio Pascal é colocado no presbitério, ao lado do ambão.  O pedestal onde ficará o círio poderá ser decorado com flores.
f)      O tempo pascal vai até o dia de Pentecostes, nesse dia sairá solenemente do presbitério o Círio Pascal, o qual ficou todo esse tempo no presbitério. A partir desse dia só será usado, nas cerimônias do batismo e Crisma. (O Sacerdote poderá usar o Rito para apagar o Círio Pascal)




O que preparar:
Para o fogo:

a)      Uma fogueira podendo ser na frente da Igreja e que seja bem expressiva, quer dizer, que sua luz possa clarear mesmo.
b)      O Círio Pascal (que seja novo, nunca se deve reaproveitar o Círio do ano que passou).
c)      Cinco cravos, com grãos de incenso colocados nos mesmos.
d)      Um estilete, para fazer a incisão no círio.
e)      Uma vela grande para o celebrante acender o círio com o fogo novo.
f)       Lanterna para iluminar os textos que o celebrante há de recitar.
g)      Pegador de macarrão, para o turiferário tirar as brasas acesas do fogo novo e colocá-las no turíbulo.
h)      Candelabro para o círio pascal, posto junto do ambão.
i)       Preparar um microfone  e um bom som, para o celebrante e o comentarista, onde começara a cerimônia, com a bênção do fogo novo.

Para a liturgia batismal:
a) Recipiente com água;
b) Quando se administram os sacramentos da Iniciação Cristã: óleo dos catecúmenos, Santo Crisma, vela batismal, Ritual Romano.
c) Apagam-se as luzes da Igreja.
d) Mesmo não havendo batismo deve-se preparar um recipiente (sugiro talhas de barro) com água para a aspersão.
e) Caldeirinha (vazia) com hissope para a hora da aspersão.

Benção do Fogo e Preparação do Círio:

a)     O Celebrante vai com paramentos brancos, à sua frente vai um dos acólitos ou Ministro com o Círio Pascal.
b)     Não se leva a cruz processional nem velas acesas.
c)     O turiferário leva o turíbulo sem brasas com a naveta.



Procissão:

a)     Depois de acender o Círio, o celebrante deita o incenso no turíbulo, se houver diácono ou padre concelebrante este levará o Círio Pascal, na falta destes o Celebrante principal o levará.
b)     Organiza-se a procissão que entra na Igreja. À frente de quem leva o Círio (Padre ou Diácono), vai o turíbulo fumegando. Seguem-se outros ministros, coroinhas e todo o povo com as velas apagadas na mão.
c)     À porta da Igreja, o celebrante (ou diácono) erguendo o Círio canta: “Eis a luz de Cristo!” e todos respondem: Graças a Deus!
d)     Depois, o celebrante principal (ou diácono) avança até ao meio da Igreja, pára e, erguendo o Círio, canta a Segunda vez: “Eis à luz de Cristo!” e todos respondem: Graças a Deus! Todos ascendem as suas velas. Passando o lume de uns aos outros.
e)     Ao chegar diante do altar, o celebrante (ou diácono) pára, e, voltado para o povo, canta pela terceira vez: “Eis a luz de Cristo!” e todos respondem: Graças a Deus! Em seguida coloca o Círio no candelabro preparado junto do ambão.
f)      Acenden-se todas as luzes da Igreja.

Precônio Pascal:

a)     O celebrante deita incenso do turíbulo e benze-o como para o Evangelho na Missa.
b)     Havendo diácono ou padre concelebrante este fará a proclamação da Páscoa.
c)     Enquanto isso da cadeira o celebrante principal segura uma vela acesa na mão, de pé, para ouvir o precônio pascal.
d)     Todos se conservam igualmente de pé com as velas acesas na mão.
e)     Terminado o precônio pascal, todos apagam as velas e sentam-se.
f)      Após a última leitura do Antigo Testamento, com o seu responsório e respectiva oração, acendem-se as velas do altar e é entoado solenemente o hino: “Glória a Deus nas alturas” neste momento tocam-se os sinos, e os demais instrumentos que até então estavam silenciosos.  Neste momento, também o altar é decorado com arranjos de flores, que deverão estar preparados na sacristia.
g)     Na proclamação do Evangelho, não levam as velas, somente o turíbulo fumegando.
h)     Após o Evangelho, faz-se a homilia; proceda-se a liturgia batismal, se houver.
i)       Havendo batismo, sua liturgia efetua-se junto a pia batismal ou mesmo no presbitério. Onde por antiga tradição, o batistério estiver localizado fora da Igreja, é lá que se tem de ir para a liturgia batismal.
j)      Primeiro faz-se a chamada dos catecúmenos, que são apresentados pelos padrinhos ou se forem crianças, levados pelos pais e padrinhos.
k)     A liturgia batismal acontecendo no presbitério, após a monição do celebrante principal, segue-se a ladainha cantada, à qual o povo responde, de pé, por ser tempo pascal.
l)       Terminada a ladainha, o Celebrante principal, de pé, junto da fonte batismal, com as mãos estendidas, benze a água. Pode-se introduzir na mesma água o círio pascal, uma ou três vezes, como vem indicado no missal.
m)   Terminada a benção da água e dita a aclamação pelo povo, o celebrante principal, interroga os “eleitos” adultos, para que façam à renúncia, segundo o Rito da Iniciação Cristã dos adultos, e os pais ou padrinhos das crianças, segundo o Rito para o batismo de criança.
n)     Faz-se agora a unção com o óleo dos catecúmenos.
o)     O celebrante interroga os eleitos a cerca de sua fé. Tratando-se de crianças, pede-se a profissão de fé dos pais e padrinhos ao mesmo tempo.
p)     Após o interrogatório, o celebrante batiza os eleitos.
q)     Terminado o batismo, acontece a unção com o óleo da crisma.
r)      Após a unção o celebrante, acende avelã no Círio Pascal.
s)     Terminada a ablação batismal e os atos complementares e efetua-se, o regresso aos bancos, em procissão e com as velas acessas. Durante o retorno, canta-se um canto batismal.
t)      Sendo batizados adultos, é administrado-lhes também o sacramento da confirmação.


Renovação das Promessas do Batismo:

a)     Concluído o rito do batismo e da confirmação, ou, se não tiver havido nenhum nem outro, após a benção da água, o celebrante principal estando de pé voltado para o povo, recebe a renovação das promessas da fé batismal dos fiéis, que se conservam de pé com as velas acessas na mão.
b)     Terminada a renovação das promessas do batismo, o celebrante principal ajudados pelos padres concelebrantes ou diáconos, se houver, asperge o povo com água benta, enquanto isso se canta um canto de sentido batismal.
c)     Por fim, a missa decorre como de costume, e com solenidade.
d)     Em algumas paróquias tem-se o costume de fazer a procissão do Senhor Ressuscitado e do triunfo de Nossa Senhora.  Portanto, a Imagem de Jesus Ressuscitado, deve estar em um andor devidamente ornado para a procissão ou carreata após o término da Vigília pascal.


V - ORIENTAÇÕES GERAIS:

a)     Antes de iniciar a sexta-feira santa e concluindo o tempo quaresmal seja feito o Ato Penitencial Comunitário com confissões individuais.
b)     O tempo quaresmal vai até à Quinta-feira Santa.
c)     A partir da missa “da Ceia do Senhor” inicia-se o Tríduo Pascal.
d)     Marcar uma reunião com toda a equipe de liturgia com o sacerdote para acertar todos os detalhes;
e)     Dividir as leituras com antecedência;
f)      Os Salmos devem ser todos cantados com a participação do povo;
g)     Deve-se montar uma “Equipe de Semana Santa”;
h)     Ex.: Batedores de Sino e matraca;
i)       Fogueteiro (para o momento do Glória da Missa da Ceia do Senhor e da Vigília Pascal)
j)      Organizadores de procissão;
k)     Organizadores de andores;
l)       Cortadores de Ramos (serviço que deve ser feito com antecedência)
m)   Leitores e Cantores de Salmos
n)     Animadores de procissão.

VI – PARALITURGIAS E PIEDADE POPULAR

a)     Quarta-feira Santa: Procissão do Encontro do Senhor do Passos e Nossa Senhora das Dores;
b)     Sexta-feira Santa: Sermão das 7 Palavras, descimento do Senhor Morto da cruz e procissão do enterro( Em alguns lugares o povo tem a tradição de dar um beijo na imagem do Senhor morto.  É mais uma oportunidade para evangelizar, fazendo com que a devoção seja mais significativa, através dos vários grupos, movimesntos, pastorais, etc.  Destacar e dar um significado ao beijo das crianças, dos jovens, dos casais, dos homens e das mulheres, dos idosos, dos doentes, etc.  Uma pequena paraliturgia pode ser preparada para este momento, com cânticos penitenciais e fazendo uma ligação com a Campanha da Fraternidade do ano corrente.